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Como precificar suas consultas de maneira adequada?

4 de novembro de 2021 | | 0
Dr. explicando a consulta para paciente
(Banco de imagens: Shutterstock)

Análise de custos de seu consultório particular é um dos principais fatores a serem considerados – mas há vários outros

Precificar suas consultas talvez seja um dos maiores desafios de ordem prática enfrentados por profissionais da medicina em todo o Brasil.

Os recém-formados em faculdades, em especial, e que acabam de chegar ao mercado de trabalho, não raro mergulham em um dilema sobre quanto cobrar de cada paciente.

Por um lado, acham justo estipular valores que, ao longo dos anos, lhes deem retorno (financeiro e pessoal) de tudo o que investiram durante a quase uma década de estudos que uma graduação completa exige de um bom médico.

Por outro, tais pessoas precisam formar uma carteira de clientes – e não será pedindo valores elevados em demasia por seus atendimentos que eles o conseguirão.

Enfim, não há respostas simples aqui – mas há práticas consagradas e metodologias objetivas que ajudam cada médico a melhor precificar suas consultas.

Vamos a elas.

Precificar suas consultas: um desafio possível de ser vencido

Há alguns elementos que devem ser prioritariamente analisados pelo médico dono de um consultório ou clínica particular quando chega o momento de precificar suas consultas.

Dentre eles, constam:

  • Seu tempo de profissão e residência médica;
  • A estrutura que sua clínica ou laboratório oferece;
  • Os cursos de especialização que você, médico, já fez ao longo dos anos;
  • A complexidade de cada caso (lembrando que casos mais graves, naturalmente, absorverão mais tempo de trabalho do que outros, mais simples).

Estes são, como dito, elementos importantes para que você consiga adequadamente precificar sua consultas.

Mas não são fatores suficientes.

Para chegar ao valor que optará por cobrar de cada cliente, a boa prática médica recomenda que você, profissional da medicina, leve em consideração, em especial, as seguintes variáveis:

  1. Custos e despesas da operação – Quanto você gasta mensalmente com o fornecimento de energia elétrica, água, telefonia, internet e outros serviços indispensáveis ao bom funcionamento de sua clínica ou consultório particular?;
  2. Salários dos colaboradores – Funcionários bem pagos são funcionários motivados, vitais para a qualidade do atendimento em sua clínica. Mas lembre-se: também o salário deles terá de vir do valor de suas consultas e demais procedimentos;
  3. Despesas com o pagamento de impostos, tributos e taxas públicas – O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), por exemplo, às vezes é bastante alto em alguns municípios para estabelecimentos com fins comerciais. E, diante do poder público, um consultório particular é exatamente isso – um estabelecimento com fins comerciais.

Uma vez respondidas e definidas tais variáveis, o profissional da área de medicina já está bastante perto de ter em mãos todos os elementos de que precisa para precificar suas consultas.

Vamos, agora, para algumas considerações finais sobre o assunto.

Precificar suas consultas: quanto vale sua hora de trabalho?

Esse é um tópico delicado, e que envolve questões objetivas e subjetivas. Por isto merece uma abordagem à parte.

Você pode optar por valores diferenciados. Cobrar mais nos casos mais complexos e menos nos casos menos complexos. É um critério legítimo, e bastante usado, por ser intuitivo.

O profissional de medicina, ao precificar suas consultas, também pode decidir-se por atender por valores menores pessoas que tenham poucos recursos. É algo nobre a ser feito, e que inclusive está de acordo com a ética da profissão.

Pesquise um pouco também a concorrência – ou seja, os demais médicos donos de consultórios particulares de sua região.

Quanto cobram? O que oferecem? Mas lembre-se de comparar-se com profissionais com perfil semelhante ao seu, em especial no que tange às especialidades que você, eventualmente, domina (cardiologia, oncologia, pediatria etc.).

Perceba que todos os fatores elencados nesse texto não são excludentes entre si; muito pelo contrário, eles se completam.

Por exemplo: ao cobrar um pouco mais caro de um cliente em boas condições financeiras e com um caso mais complicado, você pode obter uma folga no orçamento do consultório que lhe permita atender gratuitamente um paciente carente de recursos.

A decisão final, aqui, cabe a cada profissional – mas os elementos para que você saiba como precificar suas consultas são, em essência, estes.